Conto Alexandrino, de Machado de Assis 

Fonte: 

ASSIS, Machado de. Volume de contos. Rio de Janeiro : Garnier, 1884. 

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CONTO ALEXANDRINO


Captulo I
No mar


 O qu, meu caro Stroibus! No, impossvel. Nunca jamais ningum acreditar 
que o sangue de rato, dado a beber a um homem, possa fazer do homem um ratoneiro. 
 Em primeiro lugar, Ptias, tu omites uma condio:   que o rato deve expirar 
debaixo do escalpelo, para que o sangue traga o seu princpio. Essa condio  essencial. 
Em segundo lugar, uma vez que me apontas o exemplo do rato, fica sabendo que j fiz com 
ele uma experincia, e cheguei a produzir um ladro... 
 Ladro autntico? 
 Levou-me o manto, ao cabo de trinta dias, mas deixou-me a maior alegria do 
mundo:  a realidade da minha doutrina. Que perdi eu? um pouco de tecido grosso; e que 
lucrou o universo? a verdade imortal. Sim, meu caro Ptias; esta  a eterna verdade. Os 
elementos constitutivos do ratoneiro esto no sangue do rato, os do paciente no boi, os do 
arrojado na guia... 
 Os do sbio na coruja, interrompeu Ptias sorrindo. 

 No; a coruja  apenas um emblema; mas a aranha, se pudssemos transferi-la a 
um homem, daria a esse homem os rudimentos da geometria e o sentimento musical. Com 
um bando de cegonhas, andorinhas ou grous, fao-te de um caseiro um viajeiro. O princpio 
da fidelidade conjugal est no sangue da rola, o da enfatuao no dos paves... Em suma, os 
deuses puseram nos bichos da terra, da gua e do ar a essncia de todos os sentimentos e 
capacidades humanas. Os animais so as letras soltas do alfabeto; o homem  a sintaxe. 
Esta  a minha filosofia recente; esta  a que vou divulgar na corte do grande Ptolomeu. 
Ptias sacudiu a cabea, e fixou os olhos no mar. O navio singrava, em direitura a 
Alexandria, com essa carga preciosa de dois filsofos, que iam levar quele regao do saber 
os frutos da razo esclarecida. Eram amigos, vivos e qinquagenrios. Cultivavam 
especialmente a metafsica, mas conheciam a fsica, a qumica, a medicina e a msica; um 
deles, Stroibus, chegara a ser excelente anatomista, tendo lido muitas vezes os tratados do 
mestre Herfilo. Chipre era a ptria de ambos; mas, to certo  que ningum  profeta em 
sua terra, Chipre no dava o merecido respeito aos dois filsofos. Ao contrrio, 
desdenhava-os; os garotos tocavam ao extremo de rir deles. No foi esse, entretanto, o 
motivo que os levou a deixar a ptria. Um dia, Ptias, voltando de uma viagem, props ao 
amigo irem para Alexandria, onde as artes e as cincias eram grandemente honradas. 
Stroibus aderiu, e embarcaram. S agora, depois de embarcados,  que o inventor da nova 
doutrina exp-la ao amigo, com todas as suas recentes cogitaes e experincias. 

 Est feito, disse Ptias, levantando a cabea, no afirmo nem nego nada. Vou 
estudar a doutrina, e se a achar verdadeira, proponho-me a desenvolv-la e divulg-la. 
 Viva Hlios! exclamou Stroibus. Posso contar que s meu discpulo. 
Captulo II
Experincia


Os garotos alexandrinos no trataram os dois sbios com o escrnio dos garotos 
cipriotas. A terra era grave como a bis pousada numa s pata, pensativa como a esfinge, 
circunspecta como as mmias, dura como as pirmides; no tinha tempo nem maneira de 
rir. Cidade e corte, que desde muito tinham notcia dos nossos dois amigos, fizeram-lhes 
um recebimento rgio, mostraram conhecer os seus escritos, discutiram as suas idias, 
mandaram-lhes muitos presentes, papiros, crocodilos, zebras, prpuras. Eles, porm, 
recusaram tudo, com simplicidade, dizendo que a filosofia bastava ao filsofo, e que o 
suprfluo era um dissolvente. To nobre resposta encheu de admirao tanto aos sbios 
como aos principais e  mesma plebe. E alis, diziam os mais sagazes, que outra coisa se 
podia esperar de dois homens to sublimes, que em seus magnficos tratados... 

 Temos coisa melhor do que esses tratados, interrompia Stroibus. Trago uma 
doutrina, que, em pouco, vai dominar o universo; cuido nada menos que em reconstituir os 
homens e os Estados, distribuindo os talentos e as virtudes. 
 No  esse o ofcio dos deuses? objetava um. 

 Eu violei o segredo dos deuses, acudia Stroibus. O homem  a sintaxe da 
natureza, eu descobri as leis da gramtica divina... 
 Explica-te. 
 Mais tarde; deixa-me experimentar primeiro. Quando minha doutrina estiver 
completa, divulg-la-ei como a maior riqueza que os homens jamais podero receber de um 
homem. 
Imaginem a expectao pblica e a curiosidade dos outros filsofos, embora 
incrdulos de que a verdade recente viesse aposentar as que eles mesmos possuam. 
Entretanto, esperavam todos. Os dois hspedes eram apontados na rua at pelas crianas. 
Um filho meditava trocar a avareza do pai, um pai a prodigalidade do filho, uma dama a 
frieza de um varo, um varo os desvarios de uma dama, porque o Egito, desde os Faras 
at aos Lgides, era a terra de Putifar, da mulher de Putifar, da capa de Jos, e do resto. 
Stroibus tornou-se a esperana da cidade e do mundo. 

Ptias, tendo estudado a doutrina, foi ter com Stroibus, e disse-lhe: 

 Metafisicamente, a tua doutrina  um despropsito; mas estou pronto a admitir 
uma experincia, contando que seja decisiva. Para isto, meu caro Stroibus, h s um meio. 
Tu e eu, tanto pelo cultivo de razo como pela rigidez do carter, somos o que h mais 
oposto ao vcio do furto. Pois bem, se conseguires incutir-nos esse vcio, no ser preciso 
mais; se no conseguires nada (e pode cr-lo, porque  um absurdo) recuars de semelhante 
doutrina, e tornars s nossas velhas meditaes. 
Stroibus aceitou a proposta. 

 O meu sacrifcio  o mais penoso, disse ele, pois estou certo do resultado; mas 
que no merece a verdade? A verdade  imortal; o homem  um breve momento... 
Os ratos egpcios, se pudessem saber de um tal acordo, teriam imitado os primitivos 
hebreus, aceitando a fuga para o deserto, antes do que a nova filosofia. E podemos crer que 
seria um desastre. A cincia, como a guerra, tem necessidades imperiosas; e desde que a 
ignorncia dos ratos, a sua fraqueza, a superioridade mental e fsica dos dois filsofos eram 
outras tantas vantagens na experincia que ia comear, cumpria no perder to boa ocasio 
de saber se efetivamente o princpio das paixes e das virtudes humanas estava distribudo 
pelas vrias espcies de animais, e se era possvel transmiti-lo. 

Stroibus engaiolava os ratos; depois, um a um, ia-os sujeitando ao ferro. Primeiro, 
atava uma tira de pano no focinho do paciente; em seguida, os ps, finalmente, cingia com 
um cordel as pernas e o pescoo do animal  tbua da operao. Isto feito, dava o primeiro 
talho no peito, com vagar, e com vagar ia enterrando o ferro at tocar o corao, porque era 
opinio dele que a morte instantnea corrompia o sangue e retirava-lhe o princpio. Hbil 
anatomista, operava com uma firmeza digna do propsito cientfico. Outro, menos destro, 
interromperia muita vez a tarefa, porque as contores de dor e de agonia tornavam difcil o 
meneio do escalpelo; mas essa era justamente a superioridade de Stroibus: tinha o pulso 


magistral e prtico. 

Ao lado dele, Ptias aparava o sangue e ajudava a obra, j contendo os movimentos 
convulsivos do paciente, j espiando-lhe nos olhos o progresso da agonia. As observaes 
que ambos faziam eram notadas em folhas de papiro; e assim ganhava a cincia de duas 
maneiras. s vezes, por divergncia de apreciao, eram obrigados a escalpelar maior 
nmero de ratos do que o necessrio; mas no perdiam com isso, porque o sangue dos 
excedentes era conservado e ingerido depois. Um s desses casos mostrar a conscincia 
com que eles procediam. Ptias observara que a retina do rato agonizante mudava de cor at 
chegar ao azul claro, ao passo que a observao de Stroibus dava a cor de canela como o 
tom final da morte. Estavam na ltima operao do dia; mas o ponto valia a pena, e, no 
obstante o cansao, fizeram sucessivamente dezenove experincias sem resultado 
definitivo; Ptias insistia pela cor azul, e Stroibus pela cor de canela. O vigsimo rato esteve 
prestes a p-los de acordo, mas Stroibus advertiu, com muita sagacidade, que a sua posio 
era agora diferente, retificou-a e escalpelaram mais vinte e cinco. Destes, o primeiro ainda 
os deixou em dvida; mas os outros vinte e quatro provaram-lhes que a cor final no era 
canela nem azul, mas um lrio roxo, tirando a claro. 

A descrio exagerada das experimentaes deu rebate  poro sentimental da 
cidade, e excitou a loqela de alguns sofistas; mas o grave Stroibus (com brandura, para 
no agravar uma disposio prpria da alma humana) respondeu que a verdade valia todos 
os ratos do universo, e no s os ratos, como os paves, as cabras, os ces, os rouxinis, 
etc.; que, em relao aos ratos, alm de ganhar a cincia, ganhava a cidade, vendo 
diminuda a praga de um animal to daninho; e, se a mesma considerao no se dava com 
outros animais, como, por exemplo, as rolas e os ces, que eles iam escalpelar da a tempos, 
nem por isso os direitos da verdade eram menos imprescritveis. A natureza no h de ser 
s a mesa de jantar, conclua em forma de aforismo, mas tambm a mesa da cincia. 

E continuavam a extrair o sangue e a beb-lo. No o bebiam puro, mas diludo em 
um cozimento de cinamomo, suco de accia e blsamo, que lhe tirava todo o sabor 
primitivo. As doses eram dirias e diminutas; tinham, portanto, de aguardar um longo prazo 
antes de produzido o efeito. Ptias, impaciente e incrdulo, mofava do amigo. 

 Ento? nada? 
 Espera, dizia o outro, espera. No se incute um vcio como se cose um par de 
sandlias. 
Captulo III
Vitria


Enfim, venceu Stroibus! A experincia provou a doutrina. E Ptias foi o primeiro 


que deu mostras da realidade do efeito, atribuindo-se umas trs idias ouvidas ao prprio 
Stroibus; este, em compensao, furtou-lhe quatro comparaes e uma teoria dos ventos. 
Nada mais cientfico do que essas estrias. As idias alheias, por isso mesmo que no foram 
compradas na esquina, trazem um certo ar comum; e  muito natural comear por elas antes 
de passar aos livros emprestados, s galinhas, aos papis falsos, s provncias, etc. A 
prpria denominao de plgio  um indcio de que os homens compreendem a dificuldade 
de confundir esse embrio da ladroeira com a ladroeira formal. 

Duro  diz-lo; mas a verdade  que eles deitaram ao Nilo a bagagem metafsica, e 
dentro de pouco estavam larpios acabados. Concertavam-se de vspera, e iam aos mantos, 
aos bronzes, s nforas de vinho, s mercadorias do porto, s boas dracmas. Como 
furtassem sem estrpito, ningum dava por eles; mas, ainda mesmo que os suspeitassem, 
como faz-lo crer aos outros? J ento Ptolomeu coligira na biblioteca muitas riquezas e 
raridades; e, porque conviesse orden-las, designou para isso cinco gramticos e cinco 
filsofos, entre estes os nossos dois amigos. Estes ltimos trabalharam com singular ardor, 
sendo os primeiros que entravam e os ltimos que saam, e ficando ali muitas noites, ao 
claro da lmpada, decifrando, coligindo, classificando. Ptolomeu, entusiasmado, meditava 
para eles os mais altos destinos. 

Ao cabo de algum tempo, comearam a notar-se faltas graves:  um exemplar de 
Homero, trs rolos de manuscritos persas, dois de samaritanos, uma soberba coleo de 
cartas originais de Alexandre, cpias de leis atenienses, o 2 e o 3 livros da Repblica de 
Plato, etc., etc. A autoridade ps-se  espreita; mas a esperteza do rato, transferida a um 
organismo superior, era naturalmente maior, e os dois ilustres gatunos zombavam de espias 
e guardas. Chegaram ao ponto de estabelecer este preceito filosfico de no sair dali com as 
mos vazias; traziam sempre alguma coisa, uma fbula, quando menos. Enfim, estando a 
sair um navio para Chipre, pediram licena a Ptolomeu, com promessa de voltar, coseram 
os livros dentro de couros de hipoptamo, puseram-lhes rtulos falsos, e trataram de fugir. 
Mas a inveja de outros filsofos no dormia; deu rebate s suspeitas dos magistrados, e 
descobriu-se o roubo. Stroibus e Ptias foram tidos por aventureiros, mascarados com os 
nomes daqueles dois vares ilustres; Ptolomeu entregou-os  justia com ordem de os 
passar logo ao carrasco. Foi ento que interveio Herfilo, inventor da anatomia. 

Captulo IV 

Plus Ultra! 

 Senhor, disse ele a Ptolomeu, tenho-me limitado at agora escalpelar cadveres. 
Mas o cadver d-me a estrutura, no me d a vida; d-me os rgos, no me d as funes. 
Eu preciso das funes e da vida. 
 Que me dizes? redargiu Ptolomeu. Queres estripar os ratos de Stroibus? 
 No, senhor; no quero estripar os ratos. 
 Os ces? os gansos? as lebres?... 

 Nada; peo alguns homens vivos. 
 Vivos? no  possvel... 
 Vou demonstrar que no s  possvel, mas at legtimo e necessrio. As prises 
egpcias esto cheias de criminosos, e os criminosos ocupam, na escala humana, um grau 
muito inferior. J no so cidados, nem mesmo se podem dizer homens, porque a razo e a 
virtude, que so os dois principais caractersticos humanos, eles os perderam, infringindo a 
lei e a moral. Alm disso, uma vez que tm de expiar com a morte os seus crimes, no  
justo que prestem algum servio  verdade e  cincia? A verdade  imortal; ela vale no s 
todos os ratos, como todos os delinqentes do universo. 
Ptolomeu achou o raciocnio exato, e ordenou que os criminosos fossem entregues a 
Herfilo e seus discpulos. O grande anatomista agradeceu to insigne obsquio, e comeou 
a escalpelar os rus. Grande foi o assombro do povo; mas, salvo alguns pedidos verbais, 
no houve nenhuma manifestao contra a medida. Herfilo repetia o que dissera a 
Ptolomeu, acrescentando que a sujeio dos rus  experincia anatmica era at um modo 
indireto de servir  moral, visto que o terror do escalpelo impediria a prtica de muitos 
crimes. 

Nenhum dos criminosos, ao deixar a priso, suspeitava o destino cientfico que o 
esperava. Saam um por um; s vezes dois a dois, ou trs a trs. Muitos deles, estendidos e 
atados  mesa da operao, no chegavam a desconfiar nada; imaginavam que era um novo 
gnero de execuo sumria. S quando os anatomistas definiam o objeto do estudo do dia, 
alavam os ferros e davam os primeiros talhos,  que os desgraados adquiriam a 
conscincia da situao. Os que se lembravam de ter visto as experincias dos ratos, 
padeciam em dobro, porque a imaginao juntava  dor presente o espetculo passado. 

Para conciliar os interesses da cincia com os impulsos da piedade, os rus no 
eram escalpelados  vista uns dos outros, mas sucessivamente. Quando vinham aos dois ou 
aos trs, no ficavam em lugar donde os que esperavam pudessem ouvir os gritos do 
paciente, embora os gritos fossem muitas vezes abafados por meio de aparelhos; mas se 
eram abafados, no eram suprimidos, e em certos casos, o prprio objeto da experincia 
exigia que a emisso da voz fosse franca. s vezes as operaes eram simultneas; mas 
ento faziam-se em lugares distanciados. 

Tinham sido escalpelados cerca de cinqenta rus, quando chegou a vez de Stroibus 
e Ptias. Vieram busc-los; eles supuseram que era para a morte judiciria, e 
encomendaram-se aos deuses. De caminho, furtaram uns figos, e explicaram o caso 
alegando que era um impulso da fome; adiante, porm, subtraram uma flauta, e essa outra 
ao no a puderam explicar satisfatoriamente. Todavia, a astcia do larpio  infinita, e 
Stroibus, para justificar a ao, tentou extrair algumas notas do instrumento, enchendo de 
compaixo as pessoas que os viam passar, e no ignoravam a sorte que iam ter. A notcia 
desses dois novos delitos foi narrada por Herfilo, e abalou a todos os seus discpulos. 

 Realmente, disse o mestre,  um caso extraordinrio, um caso lindssimo. Antes 
do principal, examinemos aqui o outro ponto... 

O ponto era saber se o nervo do latrocnio residia na palma da mo ou na 
extremidade dos dedos; problema esse sugerido por um dos discpulos. Stroibus foi o 
primeiro sujeito  operao. Compreendeu tudo, desde que entrou na sala; e, como a 
natureza humana tem uma parte nfima, pediu-lhes humildemente que poupassem a vida a 
um filsofo. Mas Herfilo, com um grande poder de dialtica, disse-lhe mais ou menos 
isto:  Ou s um aventureiro ou o verdadeiro Stroibus; no primeiro caso, tens aqui o nico 
meio para resgatar o crime de iludir a um prncipe esclarecido, presta-te ao escalpelo; no 
segundo caso, no deves ignorar que a obrigao do filsofo  servir  filosofia, e que o 
corpo  nada em comparao com o entendimento. 

Dito isto, comearam pela experincia das mos, que produziu timos resultados, 
coligidos em livros, que se perderam com a queda dos Ptolomeus. Tambm as mos de 
Ptias foram rasgadas e minuciosamente examinadas. Os infelizes berravam, choravam, 
suplicavam; mas Herfilo dizia-lhes pacificamente que a obrigao do filsofo era servir  
filosofia, e que para os fins da cincia, eles valiam ainda mais que os ratos, pois era melhor 
concluir do homem para o homem, e no do rato para o homem. E continuou a rasg-los 
fibra por fibra, durante oito dias. No terceiro dia arrancaram-lhes os olhos, para desmentir 
praticamente uma teoria sobre a conformao interior do rgo. No falo da extrao do 
estmago de ambos, por se tratar de problemas relativamente secundrios, e em todo caso 
estudados e resolvidos em cinco ou seis indivduos escalpelados antes deles. 

Diziam os alexandrinos que os ratos celebraram esse caso aflitivo e doloroso com 
danas e festas, a que convidaram alguns ces, rolas, paves e outros animais ameaados de 
igual destino, e outrossim, que nenhum dos convidados aceitou o convite, por sugesto de 
um cachorro, que lhes disse melancolicamente:  "Sculo vir em que a mesma coisa nos 
acontea". Ao que retorquiu um rato: "Mas at l, riamos!" 


